Financiamento · Crédito Habitação

Crédito à Habitação em Portugal — Guia Prático para Compradores

6 de julho de 2026 · Rafaella Galardo


Lisboa — Docas de Alcântara

Comprar casa em Portugal envolve, na grande maioria dos casos, a contratação de um crédito à habitação. Compreender como funciona o processo, quais os custos envolvidos e o que os bancos avaliam é fundamental para tomar uma decisão informada — seja comprador nacional ou estrangeiro.

1. Como funciona o crédito à habitação

O banco empresta uma percentagem do valor do imóvel — tipicamente até 90% para residentes e até 80% para não residentes — e o comprador reembolsa em prestações mensais que incluem capital e juros. O imóvel fica hipotecado como garantia do empréstimo.

O montante financiado depende do valor de avaliação feito pelo banco (que pode diferir do preço de compra) e do perfil financeiro do comprador. A diferença entre o preço e o valor financiado — a chamada entrada — tem de ser suportada com capitais próprios.

2. Tipos de taxa de juro

Existem três modalidades principais:

A escolha depende do perfil de risco do comprador, do prazo do empréstimo e das condições de mercado no momento da contratação.

3. O que os bancos avaliam

As instituições bancárias analisam fundamentalmente:

4. Custos associados à compra

Além da entrada (diferença entre o preço e o valor financiado), o comprador deve contar com:

Para uma estimativa detalhada destes custos com valores em vigor, consulte o nosso guia completo de custos de compra em 2026.

5. O papel do intermediário de crédito

O intermediário de crédito é uma pessoa singular ou colectiva autorizada e registada junto do Banco de Portugal, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 81-C/2017. Funciona como ponte entre o comprador e os bancos: analisa o perfil financeiro, compara propostas de múltiplas instituições, negoceia condições e acompanha todo o processo até à escritura.

A certificação profissional é obrigatória e obtida através de formações específicas ministradas por entidades formadoras certificadas pelo Banco de Portugal. O registo e autorização de cada intermediário podem ser confirmados na lista oficial do Banco de Portugal.

Na grande maioria dos casos, o serviço de intermediação é gratuito para o comprador — a remuneração do intermediário é suportada pela instituição bancária que concede o financiamento.

→ Consultar a lista de intermediários de crédito registados no Banco de Portugal

6. Compradores estrangeiros

Os não residentes podem aceder ao crédito à habitação em Portugal, embora tipicamente com condições diferentes:

A análise de risco para não residentes tende a ser mais exigente, mas o processo é viável e cada vez mais comum. O acompanhamento por um intermediário de crédito com experiência em clientes internacionais pode simplificar consideravelmente o processo.

7. Garantia do Estado para jovens até 35 anos

Desde Setembro de 2024 e até 31 de Dezembro de 2026, jovens até aos 35 anos que cumpram determinados requisitos podem beneficiar de uma garantia do Estado que permite financiamento até 100% do valor do imóvel para primeira habitação própria permanente. Os requisitos incluem:

O Estado actua como fiador, cobrindo até 15% do valor da transacção, por um período máximo de 10 anos. Os beneficiários podem ainda estar isentos de IMT e Imposto do Selo.


Este artigo tem carácter informativo e não substitui aconselhamento financeiro ou jurídico personalizado. As condições de crédito variam entre instituições e estão sujeitas a alteração. Para uma análise adequada ao seu caso, contacte-nos — encaminhamos para intermediários de crédito certificados pelo Banco de Portugal.

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