Comprar · Fiscalidade
4 de julho de 2026 · Rafaella Galardo
O preço do imóvel é só o ponto de partida. Entre impostos, escritura e registos, quem compra casa em Portugal deve contar com um acréscimo que, consoante o valor e o perfil do comprador, pode ir de praticamente zero a mais de 8% do preço. Este guia percorre cada custo, com os valores em vigor em 2026.
O Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis é pago antes da escritura e calcula-se sobre o valor mais alto entre o preço de compra e o valor patrimonial tributário (VPT) do imóvel. As taxas são progressivas por escalões, e o Orçamento do Estado para 2026 atualizou os escalões em 2%, o que na prática reduz ligeiramente o imposto face a 2025 para o mesmo preço.
Os pontos essenciais em 2026:
Um exemplo concreto: numa habitação própria permanente de €300 000 no Continente, o IMT em 2026 ronda os €10 540 — cerca de €230 menos do que em 2025 pela atualização dos escalões.
Quem tem 35 anos ou menos e compra a primeira habitação própria e permanente beneficia de um regime especial, em vigor desde agosto de 2024 e reforçado em 2026:
As condições importam: o comprador não pode ter sido proprietário de habitação nos três anos anteriores, não pode ser dependente para efeitos de IRS, e o imóvel tem de ser afeto a habitação própria permanente nos prazos legais — em regra, seis meses para habitar e seis anos de permanência da afetação, com exceções previstas na lei (venda, mudança de trabalho a mais de 100 km, alteração do agregado). Se a compra for feita a dois e só um cumprir os requisitos, a isenção aplica-se à quota-parte desse comprador.
São, na prática, dois selos distintos:
A formalização da compra custa tipicamente entre €700 e €1 500, consoante o serviço escolhido (o balcão Casa Pronta é habitualmente mais económico do que o notário privado) e a existência ou não de hipoteca, que acrescenta o respetivo registo. Os jovens abrangidos pelo IMT Jovem beneficiam ainda de isenção de emolumentos no registo da primeira aquisição e da hipoteca.
Quem recorre a financiamento deve contar com a avaliação do imóvel pelo banco (habitualmente entre €250 e €400), comissões de dossiê ou de abertura conforme o banco, e eventuais seguros exigidos (vida e multirriscos). Estes valores variam significativamente entre instituições — vale a pena comparar propostas com a taxa, mas também com estes encargos.
Ser proprietário traz encargos recorrentes que devem entrar nas contas desde o início: o IMI (imposto municipal anual, entre 0,3% e 0,45% do VPT nos prédios urbanos, consoante o município), o condomínio nos apartamentos, e seguros. Não são custos da compra, mas são custos da decisão.
Para uma habitação própria permanente de €500 000 comprada em 2026 no Continente, por um comprador com mais de 35 anos e com crédito de €400 000:
Total aproximado: €36 900 além do preço — cerca de 7,4% do valor do imóvel. O mesmo imóvel comprado por um jovem elegível ao IMT Jovem pouparia a totalidade do IMT sobre os primeiros €330 539 e o selo da aquisição correspondente, uma diferença de dezenas de milhares de euros.
Acompanhamos compradores do primeiro cálculo à escritura — incluindo a simulação completa de custos antes de qualquer proposta. Diga-nos o que procura ou fale connosco diretamente pelo WhatsApp.
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